quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Vai sacudir, sacudir, sacudir...


       Às vezes quando acontece algo ruim, ouvimos a seguinte frase “A males que vem para o bem”, mais até que ponto isso é verdade, há poucas semanas ocorreu um dos maiores acidentes naturais de todos os tempos, acredito que não preciso descrever o que ocorreu no Haiti, qualquer um que tenha assistido à televisão dias ouviu falar do terremoto que destruiu um país.
   O que me chamou atenção nesse fato não foi a desgraça nem a quantidade de pessoas que morreram, nos últimos tempos temos visto muitos desastres naturais com muita destruição e muitas mortes, a raça humana tem uma capacidade incrível de esquecer, o que nem sempre é ruim;  mais o que talvez tenha passado despercebido é a ajuda que essas pessoas estão recebendo, a solidariedade que estes eventos tem despertado no coração das pessoas, milhares de toneladas de alimentos, de água e medicamentos tem sido enviados, sem falar nos inúmeros heróis voluntários que tem atuado naquele país, me surpreendi outro dia a ler a seguinte manchete “ Jhon Travolta, voa em jato particular para ajudar vitimas do terremoto”, imaginem só um astro de Hollywood  sair do conforto da sua mansão para pilotar um jato próprio para ajudar pessoas desconhecidas sem ganhar nada em troca, além claro da satisfação de saber que seu esforço pode provocar o mínimo de alento a pessoas que perderam praticamente tudo; será que quanto maior a desgraça, maior é a força do sentimento de solidariedade despertado nas pessoas? Essa é a única explicação para o fato de milhares de pessoas se reunirem para ajudar esse povo guerreiro e sofrido, de empresas que somente visam o lucro abrirem mão disso por políticas sociais de ajuda humanitária, mais saber disso realmente me entristece.
   Entristece-me por saber que nossos corações são tão duros que somente uma desgraça desse porte para nos fazer para e pensar, pensar nas outras pessoas, pensar que podemos ajudar alguém, o que seria daquele pais se toda essa ajuda tivesse vindo antes do terremoto? A política de adoção de crianças foi acelerada, desburocratizada, mais porque isso não foi feito antes? Talvez algumas crianças já estivessem em lares mais seguros; se naquele pais pobre pessoas já passavam fome antes como em tantos outros países, porque somente agora nossos olhos enxergam o fome e a miséria? e nossa boca somente agora se abrem para pronunciar aquela celebre frase “meu DEUS do céu”.
   Infelizmente parece ser próprio da raça humana só agir quando a situação chega ao limite ao extremo, ou será que só agimos quando vemos William Boner falar?
   Felizmente nem todos os dias acontecem terremoto, mais todos os dias alguém acorda sem ter o que comer, o que vestir ou um remédio para aliviar sua dor; todos os dias pessoas travam lutas por comida e tentam sobreviver em condições sub-humanas, as vezes nas portas de nossas casas; lembrei-me agora de um lema da Ashoka que diz “todo mundo pode mudar o mundo”, espero que essa “sacudida” sirva para nos fazer acordar, e que não seja necessário que os “sacudidos” sejamos nós para compreendermos a lição que a “Natureza” quis nos dar.
Obs.: a imagem que vocês estão vendo a cima não é de ma vitima do terremoto e sim retirada de um de um titulo do cineasta brasileiro José Padilha( Novíssima geografia da fome) que retrata as vitimas da fome no interior do Ceará, bem aqui do nosso lado.

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